Eu estou morando, agora, em um apartamento para lá de desconfortável. Para ajeitar as coisas por aqui, se é que isso é possível, nós vamos mudando as coisas de lugar. Uma hora o sofá está aqui, outra no quarto de alguém, depois a geladeira vai dançando tango de uma parede para a outra, acompanhada do fogão, ironicamente, um modelo Bossa Nova. Faz jus ao seu nome; fogo lento, um tempo de jogo para fritar cada lado de um bife. Na próxima, compramos um modelo Baião ou Xaxado, no mínimo. E mudamos para uma casa normal, onde nunca mais seja necessário jogar xadrez com os móveis.
Mas esse não é um tópico Casas Bahia. Esse é um tópico mal-humorado e sem o menor otimismo. A não ser pela Influenza H1N1, fazendo reboliço no campus. Hahahá, agora sinto-me incluído, personagem ativo nos programas de proteção nacional. Bacana, não? E como. Não sou neurótico por segurança, mas moro em um lugar tão violento, que se acontecer um barulho perto de você, não é uma anjo chegando para receber suas orações e levá-las a Deus. É ladrão mesmo. Agora, é só aproveitar a onda de atenção e carinho.
Esse vírus é um sujeito bacana, já chegou dando férias antecipadas. Tem gente fingindo febre, simulando dores no corpo e com tosse só de falar na volta às aulas. Preguiça é mais contagiante que gripe, pode apostar. Essa pandemia veio é do Céu. Estrategicamente no final de Junho, no melhor estilo “pula fogueira ia-iá”, recebeu mais prece que São João, São José e Santo Antônio juntos. Melhor que casar, é ficar de molho em casa, só assistindo sessão da tarde com pipoca e refrigerante. Incubando ócio. Mas não vou idolatrar isso não. Prefiro é faltar às aulas por vontade própria, alimentando assim, meu lado transgressor. Esse é um post aborrecido e não abro mão. O único lugar descontaminado vai ser o CCH, porque nem vírus aguenta, hahahá.
E tenho a maior fé que depois das férias eu vou melhorar meu ânimo. Depois de descobrir, sem querer, o milagre da mula, resolvi reconsiderar meus conceitos. Vocês conhecem o milagre? Lá, vai. Em uma tarde quente de Janeiro (isso eu inventei), Santo Antônio pregava para uma multidão de fiéis, imagino eu, quando repentinamente surge a figura de um infiel. O incrédulo, desafiou a santidade do corpo de Cristo encarnado na hóstia e, furiosamente (disseram para mim), travou uma aposta com Antônio, dizendo: Se isto for o alimento da alma, o corpo de Cristo, qualquer ser vivente pode reconhecê-lo como tal, então, trago amanhã minha mula para apreciar tal graça. A platéia silenciou, todos se entreolharam, aflitos com as consequências do discurso. Mas Antônio, com aquela calma que só o desespero traz, estendeu a mão para o homem, selando assim a aposta. Não se falava sobre mais nada na cidade, além da “peleja da mula com Antônio”. Na manhã do outro dia, Antônio, que de santo ainda não tinha nada, foi para a praça, esperar seu algoz. Eis que vinte minutos depois, sob fortes vaias, aparece o homem e sua mula. Antônio, encara, a mula. Ela, não diz nada. Começa a celebração.
Logo depois da oferta (rateio das apostas, na ocasião), Antônio inicia o ritual supremo da Igreja, e vira-se especialmente na direção da mula. Ela, comovida (fiquei sabendo), dobrou o joelho das duas patas dianteiras e abaixou a cabeça em respeito a hóstia consagrada. A platéia foi ao delírio, e o homem pasmado, caiu em prantos, louvando o senhor nas alturas.
Como não sou moco, melhor assim, ouvi toda a história calado, sem reclamar ou desacreditar. Afinal, o homem desafiou o poder de Deus e o que obteve em troca? Arrependimento, vergonha, uma mula constrangida por seu dono e, com dores nas juntas. O que aprendi? Depois da primeira mula ajoelhada, o resto foi atrás. Hahahá, esse é um post cretino e eu tinha advertido desde o início. Nada de colocar meu nome na boca do sapo.
Quero ver é encontrar o corpo do Ulisses Guimarães, o Sarney abandonar o cargo, o Irã ter liberdade de expressão garantida pela constituição e o Minc parar de achincalhar os latifundiários. No Brasil, fazer mula ficar de joelho é fácil. Não duvido que já tem mula de joelhos por ato secreto. Quero ver é me animar para escrever meu TCC. Agora, reconstituir amputado, saiu da minha lista de milagres impossíveis. O Simão conseguiu. Provas? Assistam “Simão Do Deserto” do Buñuel. O R. R. Soares assistiu. Ficou enciumado, esse milagre ainda não fez, ficou mordido de inveja. Hahahá. Simão 1 x 0 R. R. Soares.
O que nos resta? Esperar segunda-feira e torcer para a vitória do vírus. Minhas férias antecipadas serão altamente “influenziadas” por ele . No mais, estou indo embora.
Ps: O texto foi editado por que eu troquei Antônio por João, algumas vezes, no "causo" da mula. Castigo? Nada, desatenção mesmo. Desculpa o trantorno.






