domingo, 6 de junho de 2010

Atirou no que não viu e... acertou!

Domingo, 8:30 a.m e eu leio a seguinte notícia na Folha.com: "Marido mata mulher ao confundi-la com onça durante pescaria em Mato Grosso". O que eu pensei quando li? Não necessariamente nessa mesma ordem:

i) Não posso culpá-lo.

ii) E quem nunca confundiu, que atire a primeira pedra!

iii) É que ele não conhece a minha.

iv) Fale a verdade homem, assuma seu crime!

v) Se a desculpa funcionar, o que vai ter de onça aparecendo por aí...

vi) Semelhança com Anta também vale? E uma vaga lembrança...?

vii) Marido: - Não percebi, quando a vi, já estava no chão com uma camiseta amarela, shorts rosa e tênis laranja. Praticamente camuflada...

viii) Em casa, quem mata se desconfiar de alguma coisa é a onça. Se é que me entedem...

ix) Segundo apurado, é muito comum na região onças ficarem na cozinha, preparando o almoço e cantando junto com o rádio. A confusão era eminente.

x) Tem onça em Itu? Serve Capivara?

xi) Onça boa é onça morta!

xii) O crime é matar animal silvestre, não é?

xiii) Em depoimento ao delegado, Onça admite emocionada: -"Eu sabia de tudo. Fui usada como desculpa, mas ele disse que me amava. Me sinto um animal, um tapete velho".

xiv) Onça passa bem.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Maquiavel e a mulher mais feia do mundo

Nesses dias que precedem a volta a árdua tarefa de me distanciar de casa, resolvo compartilhar um bom texto, garimpado a meses atrás, na boa revista Piauí. A quem ler o blog, não ficar bravo com esse humilde graduando, tão pouco produtivo. Não vou mais sentir o cheiro do café da minha mãe; voltarei a rotina de cafés insosos da lachonete do campus e reclamações de todos os tipos, sobre a vida sofrida que temos.

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" ... Na primavera de 1509, Maquiavel recebeu uma missão de courier e de agente de informação. Estava em Florença quando o mandaram pegar dois cavalos e partir a galope para Mântua, na Lombardia, a fim de entregar ao imperador Maximiliano a segunda parcela dos 40 mil florins que os florentinos lhe haviam prometido durante a conquista da cidade de Pisa. Chegou, pagou a áurea soma e circunstâncias fortuitas o levaram um pouco acima, a Verona, de onde teria que enviar informes sobre a guerra - mas não havia guerra.

Sem ter o que fazer, escreveu, copiosamente, conselhos às autoridades florentinas e cartas aos amigos. Em meio ao tédio, esboçou um negócio com economias feitas durante a viagem: montar uma granja. Pediu ao amigo Luigi Guicciardini para propor a um tal de Piero di Martino que tomasse conta das futuras galinhas. Apesar da modorra, estava de bom humor. Havia recebido uma carta na qual Luigi lhe revelava uma aventura amorosa e confessava um "imenso desejo" de rever uma "bela senhora".

Em resposta, Maquiavel lhe descreveu a passagem inconfessável que teve em Verona. Como estava em "carência conjugal", acabou aceitando o convite de uma "velha tratante" que lhe lavava a roupa. A "velha tratante" tanto fez que o convenceu a ver uma "certa camisa" que queria que ele provasse.

O relato é tão escalafobético que, repito, alguns maquiavelistas levantam dúvida sobre sua veracidade. Roberto Ridolfi, autor da mais famosa biografia do florentino, afirma que é "provavelmente verdadeiro". E racionaliza: "A descrição dos detalhes é forçada demais para ser verossímil, demasiado realista para ser real."

Apesar disso, Ridolfi não transcreveu a carta em seu livro. Só a última biografia, de Michael White (2007), traz um bom pedaço da carta. Outros biógrafos comentam a existência do relato.

Os detalhes do acontecido falam por si. Se você é uma pessoa sensível, não prossiga. Eis então a carta de Maquiavel para Luigi Guicciardini em resposta àquela na qual o amigo confessa desejar reencontrar uma bela senhora:

Admira-te, Luigi, e veja quanto a Fortuna dá ao homem diversos fins para um único motivo. Você a fodeu, teve a vontade de refodê-la e ainda tentou de novo. Mas eu fiquei aqui vários dias, cego pela carência conjugal, quando encontrei uma velha que me lavava as camisas, que mora em uma casa meio subterrânea onde não se vê a luz senão pela porta: e eu estava passando um dia por lá, ela me reconheceu e me fez uma grande festa, me pediu que lhe desse o prazer de ir à sua casa, com a desculpa de me mostrar umas camisas bonitas como se eu as quisesse.

Uma vez lá dentro, distingui na escuridão uma mulher agachada num canto, exalando modéstia com uma toalha cobrindo a cabeça e o rosto. Aquela velha tratante me tomou pela mão, me mostrou a mulher e me disse:

- Essa é a camisa que eu quero vender, mas queria que você a provasse antes e depois você a paga. Eu, cauteloso que sou, senti-me bastante amedrontado; porém, ficando a sós com a tal e no escuro (já que a velha saiu logo da casa, fechando a porta), para encurtar a história, sozinho com ela naquele breu, eu a fodi de um só golpe. Embora sentisse as suas coxas um pouco moles e a sua xoxota desanimada - e o seu hálito era um pouco fedido -, ainda assim, excitado como estava, fui aos finalmentes com ela.

Tendo terminado, e com vontade de dar uma olhada na mercadoria, peguei um pedaço de madeira da lareira do quarto e o acendi, mas quase deixei cair das minhas mãos antes que se apagasse. Urgh! Quase caí morto com aquele borrão da visão, aquela mulher tão feia. A primeira coisa que notei nela foi um tufo de cabelo metade branco, metade preto - em outras palavras, esbranquiçado. Embora o topo de sua cabeça fosse careca (graças à calvície, era possível perscrutar alguns piolhos passeando por ali), alguns poucos e finos fios de cabelo desciam até a fronte. No meio de sua cabeça pequena e enrugada, ela tinha uma cicatriz de queimadura que fazia parecer como se tivesse recebido uma marca no mercado; na ponta de cada sobrancelha, em direção aos olhos, havia um aglomerado de lêndeas; um olho olhava para cima, o outro para baixo - e um era maior; seus dutos de lágrimas estavam cheios de remela e ela não tinha cílios. Tinha um nariz arrebitado incrustado baixo demais no rosto e uma das narinas estava cortada e cheia de ranho. Sua boca parecia a de Lorenzo de Médici, mas era torta para um lado, e desse lado escorria uma baba porque, não tendo nenhum dente, ela não podia conter a saliva. Seu lábio superior servia de apoio para um longo e ralo bigode. Ela tinha um queixo longo e pontiagudo um pouco virado para cima; uma papada levemente peluda balançava até seu pomo de adão.

Enquanto fiquei ali absolutamente desconcertado e estupefato olhando aquele monstro, ela tomou consciência disso e tentou perguntar "Qual é o problema, senhor?", mas não conseguiu porque gaguejou. Assim que abriu a boca, ela expeliu um tal fedor em seu hálito que meus olhos e meu nariz - portais vizinhos para o mais delicado dos sentidos - se sentiram assaltados por ele e meu estômago ficou tão indignado que foi incapaz de tolerar esse ultraje; começou a se rebelar, e então se rebelou - de modo que vomitei em cima dela. Tendo-a ressarcido em espécie, parti. E juro por todos os céus que, enquanto estiver na Lombardia, podem me condenar ao Inferno se pensar em voltar a ficar excitado; e se você agradecer a Deus por eu ter encontrado tanta diversão eu agradeço a Ele por perder o medo de não ter mais tanto desprazer.

Creio que levarei desta viagem algum dinheiro e verei quando chegar a Florença se começo algum negócio. Pretendo montar um galinheiro, preciso encontrar alguém que o administre: acredito que Piero di Martino seja suficiente; fale com ele se quer ser o chefe e responda-me, porque se ele não o quiser eu vou procurar outro.

Das novidades daqui Giovanni as relatará. Lembranças e recomendações a Jacopo, e não se esqueça de Marco.

Em Verona, 8 de dezembro de 1509.

Espero a resposta de Gualtieri sobre minha história comprida e inverossímil.


A tradução da carta para o português vem de várias fontes. Usei o trecho que aparece no livro de Michael White (Maquiavel, um Homem Incompreendido), outro de Maurizio Viroli (O Sorriso de Nicolau: História de Maquiavel) e, para o restante da carta e outras expressões dos originais de Maquiavel, tive a ajuda de Lulla Gancia".


Importante: Esse texto foi editado por mim. O artigo completo foi publicado na revista Piauí e escrito por Caio Túlio Costa, com o título "Maquiavel e a mulher mais feia do mundo". Apesar de suas generalizações e banalidades filosóficas, faz rir a qualquer indivíduo com boa imaginação.


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Rápida (diretamente de Itu)

Enquanto caminhava pelas estreitas ruas de minha Pasárgada, uma senhora de boné e prancheta na mão perguntou, com cara de quem ia me roubar tempo:

- Em quem o senhor votaria para presidente da república: José Serra ou Dilma Rousseff?

Apavorado e, seguindo a voz do coração, respondi:


- Soltem Barrabás!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Rápida

André Puccinelli, governador do Mato Grosso do Sul, chamou Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente, de veado. Além disso, ainda "fuma maconha". Imagine-mos agora, só por um instante, Puccinelli bêbado, referindo-se ao ministério de Gilberto Gil. Ainda bem que ninguém gravou.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

De vez em vez, as linhas enchem o papo!

“As pessoas tem que acreditar
em forças invisíveis para fazer o bem
tudo o que se vê não é suficiente
e a gente sempre invoca o nome de alguém”
(John, do Pato Fu)

Uma vez, Salvador Dalí mandou um bilhete para os Estados Unidos. Era endereçado a Alexander Calder, e dizia: “O mínimo que se exige de uma escultura é que ela não se mova”. Uma vez, na Espanha, aconteceu um sarau com figurões da nossa música popular e alguns outros intelectuais, em especial, João Cabral de Melo Neto e Vinicius de Moraes. O segundo só fazia cantigas sobre amor, para o amor e por causa do amor. O primeiro então interrompe o segundo, entre uma de muitas canções, e diz: “Você não sabe cantar com outra entranha que não seja o coração?”. Uma vez meu pai foi caçar. Junto com ele estavam seus tios e cachorros perdigueiros, entre eles, o mais feroz e astuto, Sultão. Como líder da matilha, avançou mata adentro. Mas logo voltou, mancando. Quando ergueram sua pata traseira, retiraram um grande espinho. Depois disso, Sultão não quis voltar a caçar, uivando de dor, apoiado em três pés. Atrapalhando a caminhada no mato, o tio disse: “Ê Sultão, será que vou ter que te arranjar sapato, pra você andar no mato?”.

Outra vez, Noé não encontrou Zimerman e não disse: “Rapaz, eu não sou alcoólatra, o mundo de fato esteve perdido e eu fiquei é enjoado com o balanço do mar”. Eu torci por esse encontro, essa semana. Fora isso, melhor que Caim não fique sabendo de seu caráter sádico-destrutivo. Seria trágico. Para o Zimerman. Na catequese, quando catecúmeno pela segunda vez estava, ouvi dizer a catequista: “O único pecado imperdoável para Deus, é a descrença ou zombaria do sagrado Espírito Santo”. Respirei aliviado. O forró da noite passada não havia carimbado meu passaporte para o inferno. Muito menos para o céu.

Mais de uma vez, li na Folha de SP, declarações de um senhor chamado Vânio Aguiar. Sabe qual a sua ocupação remunerada? Diretor da massa falida do Banco Santos. Uma beleza de emprego, mas nada original. Ora, estou vivo a vinte e um anos, isso é que é demonstração de habilidade em dirigir massa falida. No meu currículo vou colocar “Experiência em direção de massa falida”. O duro é se pedirem recomendação. Quem viu garante que a massa não cresceu, e mais: “Nossa, quem abriu a tampa do forno? Agora a massa murchou!”. Há quem diga, ainda, que massa falida mesmo, é a do Fluminense.

Vez ou outra, em um desses “buracos de rato” que nos metemos noite adentro, ouvi uma conversa estranha, quando fui
comprar uma água no bar. Claro, no bar não ouviria alguém comentando a tradução dos fragmentos de Parmênides, isso seria espantoso, a ponto de chamar um pastor e três chefes católicos. O diálogo era entre duas simpáticas senhoritas, igualmente marinadas no uísque por uma noite, como a carne recheada da minha mãe. Dizia, a mais alterada: “Nós inauguramos a primeira profissão do mundo. Louvai todos, a fornicação remunerada!”. Mesmo aplaudida por um maníaco na outra ponta do balcão, não pude deixar de observar: “Não seria a primeira profissão, a mais antiga de todas, o paisagismo? ”.O lugar já estava desanimado, mais triste que zona sem música. Depois disso, mais vazio que banheiro de necrotério.

Découvrez la playlist 22 de setembro de 2009 avec Ennio Morricone

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A receita perfeita

E lá vamos, nós!


(Fim do primeiro jogo da final, foto de Marcelo Pereira)

Primeiro: Acenda a churrasqueira e deixe o carvão em brasa.




(Fernando Carvalho, pobre diabo travestido de vice-presidente do Internacional)

Segundo: Tempere com um pouco de sal grosso, mas não perca a medida, muito menos o bom senso.




(Antes mesmo de consumado, o destino era sabidamente trágico.)

Terceiro: Coloque a carne no fogo e deixe-a "pingar" um bocado.



(Nota-se, em detalhe, a carne sendo "amaciada". Foto de Ricardo Rimoli)

Quarto: Dê leves batidas. Esse processo, apesar de parecer doloroso, melhora o sabor do churrasco.



(Foto de Ari Ferreira )

Quinto: Parabéns! Você seguiu todos os passos com sucesso. Agora, desfrute do saboroso churrasco gaúcho!


Ps: Contudo, não se esqueçam de adquirir, queridos fregueses, as imagens do empolgante dia que tivemos juntos!



!Fim!

sábado, 27 de junho de 2009

O espirro da mula

A mais de duas semanas não escrevo nada. E como sei que escrever é treino, muito mais que talento, esse texto vai “na marra”, sem uma gota de lubrificante. Não estranhem se descer suave, como um gato vivo na garganta.

Eu estou morando, agora, em um apartamento para lá de desconfortável. Para ajeitar as coisas por aqui, se é que isso é possível, nós vamos mudando as coisas de lugar. Uma hora o sofá está aqui, outra no quarto de alguém, depois a geladeira vai dançando tango de uma parede para a outra, acompanhada do fogão, ironicamente, um modelo Bossa Nova. Faz jus ao seu nome; fogo lento, um tempo de jogo para fritar cada lado de um bife. Na próxima, compramos um modelo Baião ou Xaxado, no mínimo. E mudamos para uma casa normal, onde nunca mais seja necessário jogar xadrez com os móveis.

Mas esse não é um tópico Casas Bahia. Esse é um tópico mal-humorado e sem o menor otimismo. A não ser pela Influenza H1N1, fazendo reboliço no campus. Hahahá, agora sinto-me incluído, personagem ativo nos programas de proteção nacional. Bacana, não? E como. Não sou neurótico por segurança, mas moro em um lugar tão violento, que se acontecer um barulho perto de você, não é uma anjo chegando para receber suas orações e levá-las a Deus. É ladrão mesmo. Agora, é só aproveitar a onda de atenção e carinho.

Esse vírus é um sujeito bacana, já chegou dando férias antecipadas. Tem gente fingindo febre, simulando dores no corpo e com tosse só de falar na volta às aulas. Preguiça é mais contagiante que gripe, pode apostar. Essa pandemia veio é do Céu. Estrategicamente no final de Junho, no melhor estilo “pula fogueira ia-iá”, recebeu mais prece que São João, São José e Santo Antônio juntos. Melhor que casar, é ficar de molho em casa, só assistindo sessão da tarde com pipoca e refrigerante. Incubando ócio. Mas não vou idolatrar isso não. Prefiro é faltar às aulas por vontade própria, alimentando assim, meu lado transgressor. Esse é um post aborrecido e não abro mão. O único lugar descontaminado vai ser o CCH, porque nem vírus aguenta, hahahá.

E tenho a maior fé que depois das férias eu vou melhorar meu ânimo. Depois de descobrir, sem querer, o milagre da mula, resolvi reconsiderar meus conceitos. Vocês conhecem o milagre? Lá, vai. Em uma tarde quente de Janeiro (isso eu inventei), Santo Antônio pregava para uma multidão de fiéis, imagino eu, quando repentinamente surge a figura de um infiel. O incrédulo, desafiou a santidade do corpo de Cristo encarnado na hóstia e, furiosamente (disseram para mim), travou uma aposta com Antônio, dizendo: Se isto for o alimento da alma, o corpo de Cristo, qualquer ser vivente pode reconhecê-lo como tal, então, trago amanhã minha mula para apreciar tal graça. A platéia silenciou, todos se entreolharam, aflitos com as consequências do discurso. Mas Antônio, com aquela calma que só o desespero traz, estendeu a mão para o homem, selando assim a aposta. Não se falava sobre mais nada na cidade, além da “peleja da mula com Antônio”. Na manhã do outro dia, Antônio, que de santo ainda não tinha nada, foi para a praça, esperar seu algoz. Eis que vinte minutos depois, sob fortes vaias, aparece o homem e sua mula. Antônio, encara, a mula. Ela, não diz nada. Começa a celebração.

Logo depois da oferta (rateio das apostas, na ocasião), Antônio inicia o ritual supremo da Igreja, e vira-se especialmente na direção da mula. Ela, comovida (fiquei sabendo), dobrou o joelho das duas patas dianteiras e abaixou a cabeça em respeito a hóstia consagrada. A platéia foi ao delírio, e o homem pasmado, caiu em prantos, louvando o senhor nas alturas.

Como não sou moco, melhor assim, ouvi toda a história calado, sem reclamar ou desacreditar. Afinal, o homem desafiou o poder de Deus e o que obteve em troca? Arrependimento, vergonha, uma mula constrangida por seu dono e, com dores nas juntas. O que aprendi? Depois da primeira mula ajoelhada, o resto foi atrás. Hahahá, esse é um post cretino e eu tinha advertido desde o início. Nada de colocar meu nome na boca do sapo.

Quero ver é encontrar o corpo do Ulisses Guimarães, o Sarney abandonar o cargo, o Irã ter liberdade de expressão garantida pela constituição e o Minc parar de achincalhar os latifundiários. No Brasil, fazer mula ficar de joelho é fácil. Não duvido que já tem mula de joelhos por ato secreto. Quero ver é me animar para escrever meu TCC. Agora, reconstituir amputado, saiu da minha lista de milagres impossíveis. O Simão conseguiu. Provas? Assistam “Simão Do Deserto” do Buñuel. O R. R. Soares assistiu. Ficou enciumado, esse milagre ainda não fez, ficou mordido de inveja. Hahahá. Simão 1 x 0 R. R. Soares.

O que nos resta? Esperar segunda-feira e torcer para a vitória do vírus. Minhas férias antecipadas serão altamente “influenziadas” por ele . No mais, estou indo embora.

Ps: O texto foi editado por que eu troquei Antônio por João, algumas vezes, no "causo" da mula. Castigo? Nada, desatenção mesmo. Desculpa o trantorno.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A verdade, meu amor, mora num poço...

Eu não havia me tocado (antes eu, que outros não?), de como posso perder algo grandioso esse ano. Agora que tomei para mim a ideia de que não irei me formar nesse semestre, que já chega, percebi que irei perder, além de um ano de estudos, a colação de grau com meus amigos. Amigos mesmo, não colegas de sala. Estou muito feliz, na certeza que muitos daqueles que sentaram ao meu lado, por esses quatro anos, irão ser grandes professores, se assim o quiserem. Também contente, pelo fechamento de um ciclo em seu tempo perfeito, como proposto pelo curso, isto é, a formação de um aluno-filósofo em quatro anos. Pena eu não conseguir essa façanha.

Esse sopro provocativo, veio em uma conversa notívaga, com minha irmã. Não tinha pensado nisso. Agora, fiquei martelando isso em minha mente, com uma tristeza insistente, que antes não existia. Como pude me descuidar. Não subirei ao púlpito, se houver um, para triunfante, comemorar a conclusão das famigeradas 2.852 horas de formação acadêmica filosófica. Pena.

Com dor no coração, sem ser pelo péssimo estilo de vida, caminhemos ao ponto central do problema: com quem irei debater as provas da existência de Deus, se não com meu estimado amigo, Alison? E quando as dúvidas sobre Schopenhauer abaterem, sobre minha debilitada vontade, onde estará Renata? Pior, em que ocasião, senão a dos intervalos e tempos livres na UEL, poderei aprender sobre os deveres de uma postura liberal e, conseqüentemente seus benefícios, sem o provocativo Ralph? A isso, soma-se a união, quase que tribal, entre kantianos e berkleyanos, sempre dispostos a defender os bons raciocínios filosóficos. Puxa, que falta isso irá me fazer... Isso, porque não citei outros grandes amigos, com outras grandiosas concepções de mundo, sempre ensinando-me algo surpreendente.

O que acalenta meu pesar, mesmo nadando contra a corrente do tempo, é a esperança de que não percamos contato. Gostaria mesmo que isso não acontecesse. Ganhei tanto com essas pessoas, e em troca, apenas contei algumas piadas velhas, já carcomidas pelo tempo. Ah esse tempo...


Enquanto escrevia, ouvia:

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Abacaxi Da Madrugada

Podem acreditar que o poder de Deus acabou de mudar a programação da Band. Em plena madrugada de sábado, a única coisa que vejo pulando e gritando, não se chama Emmanuelle. Lá se foram, e nisso embarcam comigo muitos leitores do blog, as lembranças libidinosas de nossa adolescência destemida. Talvez, esse tenha sido o maior sacrilégio dos últimos anos. Agora, parece que foi um golpe duramente preparado, para atingir em cheio nosso coração. Que atire a primeira bíblia quem nunca deu uma zapeada na madrugada da Band, nos finais de semana. Aja fogueira santa para queimar tanto pecado. Queima a CCE deste moleque desregulado, em nome de Jesuis!

De maluquice em maluquice vai este post, diretamente da madrugada mais sem graça dos últimos tempos. Só uma olhada em um recado aqui e outro ali para dar um lapso de alegria. Conversando com meus pais hoje, ainda no começo da noite, fui informado da mais nova aquisição do meu querido avô. Trata-se de um carro novo, uma casa na praia ou terreno no cemitério? Nenhuma das anteriores. Na realidade, o investimento foi em dezoito abacaxis. É isso aí, coleção de ananás. Pelo lado bom, dizem que o preço vai subir, e meu avô com 83 anos, investirá no agronegócio. O abacaxi é o futuro!

Se eu pudesse ter tantos frutos assim (cinco, e já não tem espaço na casa), colocaria todos eles no sol, enfileirados, com a coroa verdinha, só para dar inveja aos vizinhos. Que se lixem, gosto de companhia e abacaxi, diria eu, se estivesse na pele de meu avô. Mas ele prefere fingir que não escuta... Ok, ele não escuta, mas se escutasse, fingiria. Com o cabelinho branco, e o rosto com mais pregas que a sanfona do Mario Zan, vai levando tudo numa boa.

Por esses dias, acho que encontrei uma boa nova banda. Chama-se Antony And The Johnsons, mas vou logo avisando, não faz música para qualquer ouvido e não, essa não é uma advertência deveras arrogante. Na arte, para mim e somente para mim, o valor depende absolutamente de quem aprecia. Mas é claro, se estiver lendo João Cabral de Melo Neto e achar ruim, o problema está com você (hoje, no melhor estilo Abujamra de ser).


Enquanto escrevia, ouvia:

Discover Zeca Baleiro!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

O Fenômeno Brasileiro

Havia dito, no final do outro post, que algo por esses dias tinha me deixado um tanto quanto doído. Pode, e até que pode mesmo, ser por conta dessa má fase que venho passando. Por outro lado, depende também, essa minha dor, de algo justificável. Talvez, se eu conseguir explicar razoavelmente o motivo, vocês também se sintam estranhos, ou envergonhados. Lá vai. A razão desse preâmbulo explicativo cheio de tristeza e suspense, está na sabatina do Ronaldo na Folha de SP. Não se espantem, não foi outro escândalo de grosso calibre. Antes, uma constatação, que vai direto no orgulho de ser tupiniquim, jogar futebol arte, tomar caldo de cana a cada esquina ou ter como presidente “o cara”.

Em uma das perguntas da sabatina, Ronaldo defendeu uma educação européia ao seu filho, mais especificamente, na Espanha. Atribuiu ao seu descendente, caráter amável e temperamento calmo. Ora, nada mais natural que um pai coruja elogiar seu filho, o ponto está nas próximas falas. Apesar de um bom filho, devidamente “europerizado”, Ronald (sem o “o” mesmo), quando vem ao Brasil passar férias, aprende um bocado de palavrões; ainda, para desespero de seu pai, convive com a malandragem dos amiguinhos brasileiros, elevada ao cubo se comparada com a dos pequenos hispânicos. Preciso continuar?

Se tivesse dito “A educação na Espanha é superior”, talvez eu ficasse um pouco chateado, contrariado, irritado. Mas não ficou barato, ou mesmo demagógico, a resposta do camisa 9. Somos uma nação de malandros (ainda no bom sentido, ainda...)? De alunos, professores, bancários, flanelinhas, engenheiros, donas-de-casa, etc sem nenhum caráter, como o filho da velha índia, parido no fundo do mato-virgem? De tão cruelmente honesta, que foi a resposta, fiquei sem saber como contra-argumentar.

Como bem salientou Clóvis Rossi, no dia posterior a sabatina, ninguém é capaz de tornar ilegítima a análise de Ronaldo, sobre o nosso “caráter nacional”. Ele é filho da pobreza (não estou insinuando nada, nem fazendo propaganda de margarina), conviveu com as crianças libertinas, que agora teme. O que viveu de Brasil parece bastar. Não é um dinamarquês, suíço ou mesmo neto de algum deles, para falar do que não conhece. O carismático dentuço conhece o Brasil, melhor que muitos, e resolveu desistir dele, ao contrário do comercial e da música do Raul. Justificado “esse aperto aqui dentro do meu peito, desses que o sujeito não pode agüentar”? Mas agora, passo a bola para vocês, querido leitor(a). Sem dúvida, mais um post, desesperadamente, rápido.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Do suspense ao tabaco

Começar o post reclamando. Impressionante, como o café na xícara esfria rápido. É de se assustar, mal escrevo duas linhas, e lá se vai mais um pouco do calor. Desse jeito, vou ser obrigado a beber café como rabo de galo, num único gole. Vai ter que ser assim, vai ter que ser assim... Na ordem do dia, nada de novo, nada. Na semana, pude assistir mais um capítulo da série Runaway, que passa nas madrugadas da Globo. É notadamente fraca, com estórias de amores juvenis, perseguição megalomaníaca e um tom dramático... cômico. Mas, como nem sempre tudo é tão ruim como parecer ser (pergunte a um bêbado), um pequeno diálogo me chamou a atenção. Enquanto mobilizava desesperadamente a família para fugir - não interessa o motivo – uma personagem, secundária, perguntou: - Quando estamos sob a mira de uma investigação, devemos fugir ao menor sinal de perigo, ou, permanecer onde se está, na tentativa de não agir desnecessariamente, causando maior suspeita?

Interessante, não? Vou pensar aqui, na melhor solução possível, mas podem ir respondendo. Irão me ajudar. Colheres de chá à parte, o enredo do seriado é medíocre. Para mim, as séries estão muito apelativas com esses forçados tons de suspense. Uma ferramenta fundamental para qualquer história, o suspense serve para dar “um tom” ora aqui, ora ali. Fica insuportável acompanhar séries como Lost (não atirem no pianista, nem em mim), calcadas em suspenses demasiadamente longos, irritantes. Perde-se o roteiro baseado em bons conflitos psicológicos, inimigos memoráveis, dramas existenciais, problemas éticos, para um misticismo tolo, explicado em um episódio final, do tipo “até que enfim explicou essa porcaria”.

Enfim, vamos mudar de assunto, sem fortes revelações ou tropicais ursos polares.

É iminente em mim a idéia do “fico sempre por um triz”. Calma, tudo bem que avisei, mudaria de assunto, mas rápido assim, confunde. Essa conclusão é resultado de algumas premissas (não diga!), inarráveis nesse espaço. Por que comecei a escrever então? Sei lá, eu avisei que sempre fico por um triz... um dia eu conto. A outra conversa, essa “escritível”, diz respeito a lamentável lei anti-fumo de São Paulo, que hoje (18/05/09) na Folha de SP foi defendida por um secretário qualquer do Serra. O pobre diabo exaltava de tal forma a iniciativa, que parei de ler na metade. Como você, crítico do texto, parou na metade? Ora, o indivíduo listou sete melhorias na vida do cidadão (baseado em dados de Nova Iorque) com a imposição da lei, que pareceram-me surreais. Eram dados referentes aos dois últimos anos, sabidamente férteis ao desenvolvimento econômico mundial, mas ele nem quis saber. Tirou conclusões a torto e a direito.

Atribuiu crescimento de bares e restaurantes, freqüência de pessoas, aumento na oferta de empregos do ramo, como conseqüência da lei. Sério, tudo resultado da ação estatal impedindo o infeliz de fumar. Claro, pensam eles, devemos cuidar daquele idiota, que fuma mais que Preto Velho em dia de oferenda, e causa prejuízos ao SUS e a si mesmo. Nem preciso comentar, pessoas mais inteligentes que eu comentaram, basta lê-las (Lei antifumo e liberdade).

Vou ficando por aqui, mas escrevo logo, pois um assunto me deixou bem doído por esses dias. Depois eu conto, mas trata-se de algo imperdível, inovador, incrível... hahaha! Viva ao suspense de meia tigela! Abraços!

Enquanto escrevia, ouvia:

Discover Gnarls Barkley!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Pastor R. Elza Soares

Acabei de ler o jornal. Interessante terminar o dia sabendo das noticias. Na realidade, não há grande problema, levando em consideração que vou dormir às 8 da manhã, e acordo a tempo de passar um café, tomar um banho, checar os e-mails e trancar a porta de casa correndo, para dar tempo de chegar ao ponto de ônibus, por volta das 18:30. Minha hora de trabalho, desde o ensino médio, é a madrugada. Qualquer dia desses, exalto meu amor pela madrugada. A paz da atividade noturna não tem igual. Eu, por exemplo, posso abrir a janela da sala sem que ninguém fique olhando para minha cara (conseqüência de morar no térreo, e ter vizinhas zelosas); o telefone é sinônimo de tranqüilidade, a não ser que alguém morra. O clima suaviza, dando aquela paz de espírito.

Esta madrugada, infelizmente, não estou bem para escrever (eu já disse que sinto saudades de casa?). Assiste televisão, Douglas! Claro! Quando a ligo, vejo: E o filme escolhido pela maioria foi “Eu ainda sei o que vocês fizeram no verão passado”. Imagino o espírito de porco que liga para escolher um filme desses. No mínimo, deve ter compromisso para essa noite, fazendo zombaria dos insones. Pela maioria? Oh céus, se não acertam nem no Intercine... E sabem o que tem de corujão? Elza 2, a incrível história de um menino solitário, que encontra em uma leoa o significado da palavra amizade. Agora diz, por quê? É imoral não dormir a noite? Mereço esse castigo? Resta-me a companhia dos pastores, Canção Nova e Elza. Viva a madrugada. Aleluia!

(Será maldição? O blogspot não acerta a data da publicação. A data correta é: Sexta-feira, 15 de maio de 2009.)